skip to Main Content
(61) 98208-6996 faleconosco@clinicatransformate.com

A IMPORTÂNCIA DO PSICÓLOGO ESCOLAR NA COMUNIDADE ESCOLAR: UM ESTUDO COMPARATIVO

A IMPORTÂNCIA DO PSICÓLOGO ESCOLAR NA COMUNIDADE ESCOLAR: UM ESTUDO COMPARATIVO Descargar este archivo (05 Psicologo Escolar JAlcantara VSantos CCPrado.pdf)

Jéssyca de Alcântara Galvão
Viviane Santos da Silva
Carolina Conceição Prado

Centro Universitário do Distrito Federal – UDF. Brasília, Brasil

Resumo

O psicólogo escolar enfrenta dificuldades no reconhecimento do seu papel, pois sua contratação não é obrigatória. Este estudo comparativo buscou analisar a visão de gestores escolares sobre a prática e importância do psicólogo escolar nas instituições de ensino. Para isto foi realizada uma pesquisa qualitativa com dois gestores de duas escolas privadas com perfis semelhantes, sendo uma possuidora do cargo de psicólogo escolar (A) e a outra não (B). Os resultados mostraram que a escola (B) apresenta maiores queixas escolares e maior frequência no número de intervenções realizadas quando comparadas a escola (A) que mantém o desenvolvimento acadêmico dos alunos sem percalços. Conclui-se que a Psicologia escolar é mais uma perspectiva teórica que visa contribuir ao processo de ensino e aprendizagem, contudo, há necessidade de valorização desta profissão, pois os resultados apontam que os seus serviços melhoram o funcionamento da escola e desenvolvimento dos alunos.

Palavras-chave: Psicologia Escolar. Comunidade Escolar. Escola.

Abstract

The school psychologist faces difficulties in recognizing his role, since his contracting is not mandatory. This comparative study sought to analyze the view of school managers on the practice and importance of the school psychologist in educational institutions. For this, a qualitative research was carried out with two managers from two private schools with similar profiles, one being a school psychologist (A) and the other not (B). The results showed that the school (B) presents greater school complaints and a greater frequency in the number of interventions performed when compared to the school (A) that maintains the academic development of students without mishaps. It is concluded that school psychology is more a theoretical perspective that aims to contribute to the teaching and learning process, however, there is a need to value this profession, because the results show that its services improve the school’s functioning and student development.

Keywords: School Psychology. School Community. School.

Resumen

El psicólogo escolar enfrenta dificultades en el reconocimiento de su papel, pues su contratación no es obligatoria. Este estudio comparativo buscó analizar la visión de gestores escolares sobre la práctica e importancia del psicólogo escolar en las instituciones de enseñanza. Para ello se realizó una investigación cualitativa con dos gestores de dos escuelas privadas con perfiles similares, siendo una poseedora del cargo de psicólogo escolar (A) y la otra no (B). Los resultados mostraron que la escuela (B) presenta mayores quejas escolares y mayor frecuencia en el número de intervenciones realizadas cuando comparadas a la escuela (A) que mantiene el desarrollo académico de los alumnos sin prejuicios. Se concluye que la Psicología escolar es más una perspectiva teórica que pretende contribuir al proceso de enseñanza y aprendizaje, sin embargo, hay necesidad de valorización de esta profesión, pues los resultados apuntan que sus servicios mejoran el funcionamiento de la escuela y el desarrollo de los alumnos.

Palabras clave: Psicología Escolar. Comunidad Escolar. Escuela.

Introdução

Motivada pela tendência norte-americana e francesa, a Psicologia escolar chegou ao Brasil na passagem do século xix e xx, através da criação dos laboratórios de Psicologia, com objetivo de estudar crianças com problemas de aprendizagem (Barbosa; Marinho-Araújo, 2010)

Os psicólogos escolares atuaram por muito tempo nas escolas com o modelo clínico, realizando atendimento individualizado, avaliação diagnóstica e encaminhamentos de alunos para classes especiais a fim de ajustar o aluno na escola. Diante dessas atuações, os psicólogos passaram a ser chamados exclusivamente para ajudar as instituições educativas, com o propósito de compreender as queixas escolares. (Barbosa; Marinho-Araújo, 2010)

Tal prática acarretou atrasos no desenvolvimento dos alunos, ao rotular e promover a padronização com as normas da escola. Ao atribuir a culpa ao aluno pelo insucesso acadêmico, a instituição se beneficiava e os agentes escolares se tornavam ainda mais omissos, por enxergar que o aluno “problema” devia ser encaminhado para outro profissional como psicólogo, psiquiatra e outros.

Segundo Barbosa e Marinho-Araújo (2010), o descontentamento dos psicólogos escolares com sua prática no final da década de 1970 ocasionou uma crise que durou vinte anos. Período em que se constataram muitas reflexões e pesquisas na área de Psicologia escolar, já que as estratégicas atuais não atendiam a demanda do momento. A partir dessas reflexões a visão se ampliou e o profissional de Psicologia escolar passou a levar em consideração as relações e o contexto social dos alunos, observando a escola, os profissionais, os pais e a cultura dessa comunidade escolar.

Atualmente, o psicólogo escolar tem enfrentado dificuldades para estabelecer e exercer o seu papel nas instituições escolares. Por vezes, suas atribuições não são vistas de forma clara e precisa por outros profissionais da área da educação, bem como alunos, pais e demais funcionários; isso ocorre em razão de que o antigo modelo clínico ainda se encontra estabelecido. Por essa razão, o psicólogo escolar pode possuir dificuldade no desenvolvimento do seu trabalho e ainda atribuir serviços que descaracterizam a sua principal função no contexto escolar. (Patias; Abaid, 2014).

Rossi e Paixão (2006) realizaram um estudo no Distrito Federal com o propósito de investigar a representação social dos professores e psicólogos a respeito da ação da Psicologia na escola. Dessa forma, constataram que os professores ainda relacionam o trabalho da Psicologia como uma prática clínica e individualizada. Entretanto, na atualidade para os psicólogos escolares, a prática deve ter como prioridade a promoção da saúde e o desenvolvimento comum.

De acordo com os conceitos de Dessen e Junior (2005) a Psicologia escolar é uma área que tem como objeto de estudo a compreensão, o aperfeiçoamento e a implementação do conhecimento psicológico no campo educacional. Os instrumentos científicos da Psicologia contribuem com formulações para os sistemas de ensino, métodos e teorias do aprender.

Para Woolfk, (2000, apud Dessen; Junior, 2005, p.191) a Psicologia escolar centra-se em investigações, e principalmente, a respeito do que as pessoas pensam, fazem e sentem quando estão envolvidas em um processo educativo e no contexto escolar. Suas principais contribuições à educação são no desenvolvimento de estratégias e didáticas de ensino, estruturação curricular, elaboração de materiais didáticos e formas de trabalhar com alunos que possuem necessidades educativas especiais.

O profissional de Psicologia escolar deve estar apto para estruturar, implantar e transformar saberes. Sendo assim, é um agente imprescindível para a construção e incorporações de valores no âmbito acadêmico. A intervenção do psicólogo em instituições de ensino deve ocorrer de maneira preventiva; desta forma, o profissional precisa estar apto para intervir em situações suscetíveis ao acarretamento de problemas maiores. O psicólogo escolar deve prestar atendimento para alunos, pais, professores e demais funcionários. Sua função é promover o bem-estar social (Santos; et. al., 2010).

Este profissional busca, ainda, interagir junto ao educando e desenvolver ações educativas que promovam a saúde mental para todos do espaço escolar. Dentre suas funções pontua-se: avaliar problemas de aprendizagem, problemas de adaptação escolar e integração da família, escola e sociedade. O psicólogo escolar desenvolve também trabalhos com outros profissionais, podendo intervir nos planejamentos e práticas educacionais, participando de atividades como a elaboração e a análise do Projeto Político Pedagógico da Escola (Santos; et. al., 2009).

De acordo com Andrada (2005a), são várias as possibilidades de intervenção que um psicólogo pode desempenhar no campo escolar, dentre essas pode-se citar: entrevistas com os pais dos alunos, levantando dados sobre a autonomia x dependência; limites; autoritarismo; relacionamento cognitivo e emocional na família; reflexão com os pais sobre as dificuldades de aprendizagem existentes e criando junto a esses processos que possibilitem o sucesso escolar do aluno; unir pais e professores no processo de educação das crianças e, além disso, o psicólogo escolar deve ser curioso, articular junto ao demais profissionais em busca de estratégias de intervenção.

Segundo Patias e Abaid (2014) o psicólogo escolar ao identificar problemas, queixas ou situações adversas deve antes de intervir buscar as múltiplas causalidades. Pois, o ambiente escolar funciona de forma sistêmica, isto é, de forma circular onde um determinado problema pode abranger todo o subsistema e as pessoas que fazem parte.

Ainda sobre os atributos desse profissional Andrada (2005b) pontua que é preciso que o mesmo crie um espaço para escutar as demandas e saiba pensar maneiras diversas para lidar com situações do cotidiano. Dessa forma Oliveira; Marinho-Araújo, (2009); Tada; et. al, (2010) ressaltam a importância de que o atendimento psicológico não seja restrito em uma sala de atendimentos. Por esta razão, faz-se necessário que o mesmo transite em todo o espaço escolar, a fim de conhecer as verdadeiras necessidades da instituição-escola e em busca de articular assertivamente propostas de intervenção.

O psicólogo escolar deve ainda ouvir alunos, pais e demais funcionários e considerar o que estes pensam sobre a escola da qual fazem parte. É imprescindível também estabelecer um bom diálogo com os professores, escutá-los, acolhe-los e incentivá-los a participarem ativamente da construção de um espaço escolar de qualidade e saudável a todos que compõem o sistema.

Desta maneira, sabe-se que ainda existem diversos desafios a serem vencidos por esse profissional e, como descrito por Andaló (1984), o psicólogo escolar é um agente de mudanças dentro da instituição, assumindo a posição de elemento catalisador de reflexões e de agente de conscientização dos papéis, sendo representante de diversos grupos que compõem a instituição-escola.

Assim, este estudo visa analisar a visão de gestores escolares sobre a prática e importância do psicólogo escolar na instituição de ensino, e o quanto este profissional contribui ao sistema educacional e desenvolvimento acadêmico dos alunos. Desta forma, foi feito um comparativo da dinâmica escolar entre as especificidades dos serviços prestados por duas escolas privadas de Brasília – DF, sendo uma que conta com o serviço do profissional de Psicologia escolar e outra que não possui o serviço e conta com outros profissionais para o desempenho de tarefas e a identificação da visão e percepção, dos gestores escolares, sob o serviço de Psicologia escolar.

Método

A pesquisa do tipo qualitativa, buscou compreender o olhar contemporâneo de representantes de outras áreas à cerca do trabalho do psicólogo escolar e de que forma compreendem a importância do mesmo em uma instituição de ensino, através de entrevista com dois gestores escolares de duas escolas privadas, localizadas em Brasília-DF. As duas escolas são dirigidas por congregações católicas, ambas atendem educação infantil, ensino fundamental e médio, tendo como diferencial o cargo de psicólogo, uma possui e a outra não.

Escola (A) não possui psicólogo escolar: Fundada no ano de 1962 e dirigida por uma congregação cristã católica o Colégio tem como missão “evangelizar através da educação” e como objetivo primordial, ofertar uma educação à criança e ao jovem que favoreça o desenvolvimento integral, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual, espiritual e social, contanto com a ação da família e da comunidade. O processo de ensino aprendizagem fundamenta-se nas teorias da construção do conhecimento; por meio de relações mediadoras de aprendizagens significativas oportunizando ao educando atividades cognitivas, físicas, afetivas e espirituais que possibilitam o desenvolvimento de novas competências e habilidades, através de conteúdos conceituais (saber), procedimentais (fazer) e atitudinais (ser), com a finalidade de formar integralmente o aluno.

Escola (B) possui psicólogo escolar: Fundada no ano de 1960 e dirigida por uma congregação cristã católica o Colégio tem como missão “Desenvolver qualificados serviços educacionais, num ambiente fraterno e inovador, contribuindo para formar cidadãos capazes de promover a vida e de responder aos desafios da ciência”. O processo de ensino aprendizagem fundamenta-se na metodologia sócio interacionista na qual o educando questiona, problematiza, investiga e reflete, construindo aprendizagens significativas para sua vida.

A análise de dados foi realizada por meio de comparação entre os dados teóricos explanados por outros autores e os dados averiguados em prática por meio de questionário aplicado nas escolas (A) e (B).

Resultados e discussão

Responderam o questionário a diretora da escola (A) e a coordenadora geral da escola (B). Quando foram questionadas sobre a relevância do serviço de Psicologia escolar, a diretora da escola (A) respondeu que acredita na importância do trabalho exercido pelo psicólogo escolar, porém o colégio não conta com o serviço do psicólogo escolar por possuir o serviço de orientação educacional que é realizado na maioria das vezes por profissionais habilitados e com especialização em psicopedagogia. A Coordenadora da escola (B) acredita ser essencial o papel do psicólogo na escola e acrescenta que o profissional auxilia em diversas tarefas do cotidiano.

Dado as respostas das pesquisadas, observa-se que existem equívocos sobre o papel do psicólogo escolar nas instituições de ensino. A voluntária (A) considera o serviço fundamental para a comunidade acadêmica, já a voluntária (B) acredita que a presença do psicopedagogo compensa a ausência do psicólogo escolar.

Posto que, a diretora percebe o psicopedagogo como um profissional que identifica as dificuldades de aprendizagem e procura caminhos para minimizá-las, já o psicólogo age nas áreas emocionais, das quais precisam ser trabalhadas para não aumentar as dificuldades de aprendizagem. A coordenadora pedagógica respondeu que em sua visão o psicopedagogo auxilia quando os alunos apresentam dificuldades educacionais, enquanto que o psicólogo possui uma visão mais ampla da problemática.

Assim, constatou-se a necessidade de discriminar e expor as diferenças da atuação dos profissionais. Apresenta-se a seguir a tabela comparativa entre as profissões, instituído pela Classificação Brasileira de Ocupações – CBO (2016), que tem por finalidade identificar, reconhecer, amparar e valorizar os profissionais por meio de um documento instaurado pelo Ministério do Trabalho. A CBO descreve a realidade das profissões do mercado de trabalho brasileiro, bem como, as exigências de formação e experiência e as condições gerais de exercício (Tabela 1).

Psicólogo escolar

(CBO – 2515 – 05)

Psicopedagogo

(CBO – 2394 – 25)

Estudar, pesquisar e avaliar o desenvolvimento emocional e os processos mentais e sociais de indivíduos, grupos e instituições. Essa tarefa tem por finalidade analisar, tratar e orientar situações do âmbito educacional. O psicólogo escolar realiza diagnósticos, avalia distúrbios emocionais, mentais e desadaptação social; o mesmo deve ainda apurar conflitos, acompanhar e investigar fatores, além de desenvolver pesquisas experimentais com os grupos coordenados. Implementar, avaliar, coordenar e planejar o desenvolvimento de projetos da área pedagógica/ institucional em modalidade de ensino presencial e/ ou à distância, utilizar técnicas e metodologias que favoreçam o processo de ensino e aprendizagem dos alunos, avaliar os processos educacionais, viabilizar o trabalho coletivo, criar e organizar participações em projetos educacionais e facilitar a comunicação entre a escola e a comunidade vinculada.
Segundo as normas de formação e experiência, para exercer esse cargo é exigido ter concluído o ensino superior e experiência profissional de um a quatro anos. Além disso, o profissional pode trabalhar como autônomo ou com a carteira assinada, de forma individual ou em equipes. Para o exercício dessa profissão é necessário curso superior na área de educação ou em áreas que se relacionam. O pleno desempenho ocorre com três ou quatro anos, os profissionais podem atuar no âmbito público ou privado, contando com a regulamentação por estatuto da carteira assinada e os trabalhos podem ser exercidos de forma individual ou grupal.
Tabela 1: Comparativo dos profissionais psicólogo escolar e psicopedagogo
Fonte: CBO, 2016.

Observa-se que a Classificação Brasileira de Ocupações delimita os atributos específicos de cada profissão, no entanto, se faz necessário efetivos esclarecimentos para as instituições de ensino e representantes dessas, pois se identifica que ambas as profissões possuem competências diferentes. Psicólogo escolar e psicopedagogo detêm-se de ofícios e conhecimentos distintos que se complementam ao trabalharem em parceria e podem melhor atender as demandas escolares e de toda a comunidade pertencente a essa.

Todavia, é possível verificar que o profissional de psicopedagogia exerce algumas funções semelhantes ao do profissional de Psicologia escolar, ambos podem promover projetos de resolução e prevenção de conflitos, a fim de facilitar a comunicação entre a escola e a comunidade vinculada. Porém, existem atividades especificas para cada cargo que demonstram que um cargo não pode ser substituído por outro. Por exemplo, o psicólogo não está habilitado para trabalhar com as questões pedagógicas, da mesma maneira que o psicopedagogo não está habilitado para avaliar o desenvolvimento emocional e os processos mentais e sociais dos alunos.

De acordo com Patias e Abaid (2014) cabe ao psicólogo escolar delimitar e imputar os seus atributos profissionais; além disso, se faz necessário que essa prática profissional seja exercida de forma similar por todos os profissionais da área de Psicologia escolar, pois tal ação possibilitará que outras áreas enxerguem o real papel do psicólogo escolar.

Conforme Dessen e Junior (2005) o psicólogo escolar deve atentar-se com a transposição dos seus conhecimentos teóricos e metodológicos, evitando invadir e eliminar outras profissões e suas respectivas contribuições enquanto ciência. É tarefa do mesmo trabalhar de forma a contribuir com o bem-estar social e emocional de todos os envolvidos no espaço educacional, buscando promover qualidade e sucesso a comunidade escolar.

Para tanto, é importante destacar que a Psicologia não traz todas as respostas enquanto ciência para a área escolar, sendo esta apenas mais uma perspectiva teórica que visa contribuir ao processo de ensino e aprendizagem.

Além da comparação da CBO das profissões, é importante também observar a média salarial de ambas às profissões. Há uma diferença de salário bruto entre psicólogo escolar e o psicopedagogo correspondente a 1.77% a mais para o psicólogo (SINE, 2016). No entanto, essa diferença se torna ainda maior ao se considerar a carga horária de trabalho das profissões; pois o psicólogo escolar trabalha normalmente 30 horas semanais na escola e o psicopedagogo 40 horas, elevando a diferença para 26% entre os salários (SINE, 2016).

Como o pedagogo trabalha na maioria das vezes 40h, sua hora é mais barata se comparada com a hora do psicólogo. Considerando que as escolas trabalham com redução de gastos, presume-se que essa diferença salarial seja determinante na escolha dos profissionais que irão compor o quadro de funcionários da escola.

Sobre a obrigatoriedade do psicólogo nas escolas, a diretora da escola (A) afirmou não ser a favor e nem contra, pelo fato de que na escola o serviço de orientação educacional atende as expectativas da mesma, desta forma, os casos que demandam atendimentos mais específicos são encaminhados para psicólogos clínicos. Já a coordenadora pedagógica é a favor da obrigatoriedade do serviço de Psicologia em escolas, por acreditar que o psicólogo enriquece e complementa o trabalho dos demais funcionários beneficiando à comunidade escolar.

Em relação à obrigatoriedade do serviço de Psicologia nas escolas, até o presente momento é facultativa a aderência ou não desse profissional. Existem projetos de lei tentando mudar essa realidade tanto na câmara dos deputados como no senado, porém ainda não houve avanço significativo nesta área (Guimarães, 2011).

Dessa forma, verifica-se que o estabelecimento de contato com parlamentares e em especial aos da área de Psicologia é muito importante para a busca de mais reconhecimento da profissão. Compreende-se também que a Psicologia no Brasil é ainda uma ciência nova; em razão disso, muitos ainda não compreendem o valor do profissional da Psicologia e possuem uma visão distorcida sobre os atributos da profissão.

Sem o auxílio da Lei que garanta ao psicólogo o escolar a exclusividade para o exercício da sua profissão, o mesmo tem o árduo trabalho de comprovar que seu trabalho se faz imprescindível no campo escolar e que seus serviços possuem diferenciais e contribuem ao melhor funcionamento da comunidade escolar.

Verifica-se que a Psicologia possui diversos desafios quanto a sua colocação no espaço social. Considerando as falhas ainda existentes na regulamentação da profissão, nota-se que é em razão dessas que outras profissões desempenham papéis inerentes ao cargo de Psicologia, em especial os profissionais de pedagogia e com especializações em psicopedagogia.

Além das contribuições que os profissionais de Psicologia devem desempenhar para valorizar e incentivar a legalização de psicólogos no campo escolar, é de suma importância que o Conselho Federal de Psicologia – CFP e também os conselhos regionais de Psicologia – CRP confrontem-se com a atual situação e falta de reconhecimento da profissão; primando pelo reconhecimento, esclarecimentos e respostas para essa questão.

Dessa maneira, é papel do CFP mobilizar a categoria, estabelecer, promover campanhas e demonstrar que para o efetivo desenvolvimento da comunidade escolar se faz imprescindível a presença de psicólogos nas instituições de ensino. Contudo, essas ações devem estar em contínuo desempenho; e não tratadas de forma isolada e em espaços longos de tempo.

Em continuidade com os temas da entrevista, certificou-se de que ambas as escolas atendem alunos diagnosticados com variados transtornos. Assim, apresenta-se a seguir o relato das pesquisadas das escolas (A) e (B) sobre a inclusão de alunos com necessidades especiais nas escolas (Tabela 2).

Escola Relato dos gestores
(A) “Nosso colégio é de Ensino regular, porém atendemos alunos inclusivos. Ainda estamos aprendendo a lidar com a inclusão, visto que é um assunto “velho” e “novo” ao mesmo tempo. Os profissionais não estão preparados para atuarem, grande desafio para nós. A adaptação é realizada mediante um atendimento mais diferenciado, provas adaptadas, mais tempo na realização das avaliações e correções diferenciadas
(B) “Todos os alunos com alguma necessidade educacional especial passam por uma entrevista com a psicóloga da nossa escola e contam com uma acompanhante pedagógica para o desenvolvimento das atividades diárias”
Tabela 2: Comparativo dos profissionais psicólogo escolar e psicopedagogo

Evidencia-se que o manejo das escolas no processo de inclusão, acolhimento e adaptação dos alunos é diferenciado. A escola (B) diferencia a prática do psicólogo e do psicopedagogo perante a realidade da inclusão, o psicólogo avalia as necessidades de cada aluno, e o psicopedagogo media a adequação das atividades pedagógicas para esses alunos. A escola (A) transparece insegurança com a falta do psicólogo escolar, quando diz que a inclusão é um desafio complicado e confessa que os profissionais não estão preparados.

Desta maneira, certifica-se que a escola (B) onde possui o trabalho do psicólogo escolar está mais preparada e segura ao trabalhar com a inclusão escolar. Em contrapartida, compreende-se o discurso da diretora da escola (A) ao afirmar que inclusão é um desafio, por ainda não possui uma escola modelo em inclusão escolar. Entretanto nota-se que o trabalho do psicólogo escolar em parceria com o psicopedagogo se faz mais adequado para atender as demandas do processo de inclusão e auxilia no progresso de inclusão de qualidade.

Conforme o relato da diretora da escola (A); é questionável quando a mesma afirma que a escola é de ensino regular, pois esta afirmação não denota ser uma escola inclusiva; fato esse, obrigatório para todas as escolas. É evidente com essa afirmação as dificuldades que a escola enfrente para que a inclusão solidifique no espaço escolar.

É importante destacar que as escolas de ensino regular devem matricular todos os alunos, cabendo a essas a efetiva organização para o atendimento de alunos com necessidades especiais e garantia de uma educação de qualidade para todos, conforme o Conselho Nacional de Educação (2001) resolução CNE/CEB Nº2 de 11 de setembro de 2001.

Como descrito na Declaração de Salamanca (UNESCO, 1994), no processo de inclusão é necessário o apoio e serviço em conjunto dos profissionais. Suspeita-se que um dos motivos pelo qual a visão da diretora esteja confusa quanto à inclusão e obscura quanto à competência dos profissionais, seja em virtude da falta da atuação do profissional de Psicologia escolar na escola (A).

Na concepção da diretora da escola (A) o psicólogo escolar trabalha exclusivamente com os alunos, o que pode estar interferindo em sua insatisfação para com os profissionais e dificultando ter firmeza e clareza das possíveis e variadas funções do profissional de Psicologia dentro de uma escola.

Defende-se que no processo de inclusão a presença de psicólogos e psicopedagogos é indispensável e imprescindível. De acordo com a CBO o psicólogo pode avaliar as habilidades sociais, os problemas de comportamento, de comunicação e linguagem; já o psicopedagogo avalia as questões pertinentes ao processo de ensino aprendizagem, limitações motoras e/ou da leitura, considerando do nível de desenvolvimento dos alunos.

Dessa maneira, os dois profissionais podem trabalhar em conjunto para elaborar atividades pedagógicas que facilite a interação, diminua os problemas de comportamento, estimule e facilite o aprendizado da comunicação e coordenação motora do aluno com necessidades especiais.

O psicólogo escolar pode ainda, trabalhar com a comunidade escolar (funcionários, educadores, pais e alunos), promovendo encontros e debates sobre transtornos de aprendizagem e outros assuntos adequados, analisar e intervir sobre as metodologias utilizadas pela escola para melhor atender as demandas advindas dos alunos com necessidades especiais, da escola, da família e de toda a comunidade escolar.

O psicopedagogo deve trabalhar mais próximo aos professores e a coordenação pedagógica. Realizar o planejamento curricular e analisar quais as atividades serão desempenhadas durante o ano letivo, quais os materiais utilizar e como utilizar (CBO, 2016). O mesmo deverá desenvolver atividades que estejam de acordo com o nível de desenvolvimento de cada aluno, zelando e certificando que as atividades propostas estejam possibilitando a aprendizado do aluno.

Quando questionadas sobre os maiores desafios enfrentados na profissão, a diretora da escola (A) respondeu que sofre com a ausência de parceria da família junto à escola, falta de profissionais qualificados no mercado e o crescimento do número de alunos diagnosticados e medicados. Já a coordenadora da escola (B) respondeu: “Tenho vários desafios que enfrento diariamente, pois educar é uma arte que poucos manejam. Mas tento desempenhar a minha função com amor e dedicação. Identifico-me com essa área e já atuo há vários anos”. Para tanto, verifica-se nos desafios mencionados pela diretora questões que comprometem o melhor desempenho da escola devido a falta do profissional de Psicologia, pois este é responsável em estabelecer parcerias entre a escola e família, além de avaliar e classificar os alunos que realmente necessitam de encaminhamentos.

De acordo com Andrada (2005a), são várias as possibilidades de intervenção que um psicólogo pode desempenhar no campo escolar, dentre essas pode-se citar: entrevistas com os pais dos alunos, levantando dados sobre a autonomia x dependência; limites; autoritarismo x autoridade; relacionamento cognitivo e emocional na família; reflexão com os pais sobre as dificuldades de aprendizagem existentes e criando junto a esses processos que possibilitem o sucesso escolar do aluno; unir pais e professores no processo de educação das crianças e, além disso, o psicólogo escolar deve ser curioso, articular junto ao demais profissionais em busca de estratégias de intervenção.

Com base na Figura 1: motivos relacionados as queixas escolares nas escolas (A) e (B) e Figura 2: frequência das intervenções realizadas nas escolas (A) e (B), discute-se a seguir os resultados evidenciados em pesquisa.

A figura 1: mostra os motivos relacionados as queixas escolares de ambas as escolas. Com base nos dados de pesquisa apontados na figura nota-se que a escola (A) possui um maior percentual em relação a escola (B) para as queixas escolares. Ambas as escolas acreditam em mesma proporção que um dos maiores motivos relacionados a essas queixas devem-se as famílias dos alunos. Para a escola (B) o percentual é maior quanto às questões pedagógicas e outros fatores.

Figura 1: Motivos relacionados as queixas escolares nas escolas (A) e (B)

Considerando os resultados, ambas as escolas acreditam em mesma proporção 71% que um dos maiores motivos relacionados a essas queixas devem-se às famílias. Para a escola (B) o percentual é maior quanto às questões pedagógicas 43%, enquanto que a escola (A) representa 14%; em relação aos alunos desinteressados o percentual da escola (A) é de 86% e a escola (B) 43%; para as questões socioeconômicas a escola (A) corresponde a 57% e a escola (B) 14%; quanto aos aspectos biológicos nota-se que a escola (A) tem percentual de 43% e a escola (B) apenas 14%. Em relação a outros fatores não mencionados, a porcentagem da escola (A) é de 14% e a escola (B) de 29% (Figura 1).

Dentre as queixas apontadas, identifica-se em mesma proporção a crença das entrevistadas de que essa vertente se deve a família dos alunos. Contata-se com esse dado a transferência por parte das escolas quanto as responsabilidades que cabem as mesmas. No entanto, faz-se necessário ressaltar que escola e família devem estar em sintonia e o psicólogo escolar é o profissional mais capacitado para o estabelecimento desse vínculo. Por essa razão, se faz necessário que o psicólogo escolar esteja ciente de suas funções dentro de uma instituição de ensino, de modo que possa melhor auxiliar para a resolução dessa questão.

A figura 2: mostra a frequência das intervenções realizadas pelas escolas (A) e (B), observa-se que a escola (A) também apresenta em maior escala a frequência de intervenções. De acordo com a figura 2, ambas as escolas mostram em mesma proporção 57% que a frequência mais comum é com alunos e professores. A frequência dessas intervenções com os pais possui percentual de 71% na escola (A) e 57% na escola (B); os encaminhamentos correspondem a 43% na escola (A) e 29% na escola (B). Para outros fatores, a escola (A) não possui percentual e a escola (B) 29%.

Figura 2. Frequências das intervenções realizadas nas escolas (A) e (B)

Conforme os dados obtidos pelas escolas e evidenciados na figura 1 e figura 2 a escola que não possui o profissional de Psicologia escolar apresenta maiores queixas escolares e frequência das intervenções em maiores escalas. Os serviços da escola (A) são realizados por orientadores educacionais e profissionais com especialização em psicopedagogia. Entretanto, repara-se que a escola que conta com o serviço do psicólogo escolar apresenta melhores resultados e taxas mais baixas em relação às queixas e a frequência de encaminhamentos. Dessa maneira, os percentuais da escola (B) quanto aos encaminhamentos demonstram que grande parte das intervenções são realizadas no próprio âmbito escolar.

Assim, embora, ambas as escolas façam intervenções direcionadas aos professores e alunos, a escola (A) faz mais encaminhamento comparada à escola (B), deixando uma lacuna para investigação sobre as causas desses encaminhamentos e se possuem alguma relação com a falta do psicólogo escolar na instituição.

Em relação às queixas escolares de ambas as escolas, a escola (A) possui um maior percentual de queixas escolares quando comparada à escola (B). Ambas as escolas acreditam em mesma proporção que a maior razão para as queixas escolares devem-se às famílias dos alunos. Já, para a escola (B) o percentual de queixas referentes às questões pedagógicas e outros fatores são maiores.

Nota-se a partir dos resultados que a escola (A) sofre com a falta deste profissional e a escola (B) embora defenda a obrigatoriedade do psicólogo escolar, possivelmente ainda não notou todas as possibilidades de intervenção.

Considerações finais

A Psicologia escolar ainda é uma área nova, da qual vem enfrentando diversos desafios na legalização e consolidação da profissão. A concepção do antigo modelo clínico ainda é vigente na sociedade atual. Dessa forma, desde 1970 os profissionais dessa área lutam para além do além do tecnicismo, com pesquisas e estratégias para demonstrar o valor de sua prática no campo educacional e o quanto suas ações podem ser benéficas a comunidade escola.

A Psicologia escolar ainda não é reconhecida na sua integra no ambiente escolar e na percepção de profissionais inseridos nesse contexto; assim, a escola que não adere ao serviço mostra-se confusa em relação aos atributos de um psicólogo escolar. Em razão disso, outros profissionais são solicitados para desempenhar tarefas inerentes ao cargo de Psicologia.

Os dados apontados por essa pesquisa demonstram que a escola que possui o psicólogo escolar apresenta melhores resultados em relação às queixas escolares: alunos desinteressados, questões socioeconômicas e encaminhamentos. Além disso, a frequência das intervenções com pais e encaminhamento de alunos é menor na escola que possui o psicólogo escolar.

Neste ínterim, este estudo visa contribuir para incentivar o Conselho Federal de Psicologia e toda a categoria a lutarem pela obrigatoriedade de psicólogos nas escolas, demonstrando que o serviço de Psicologia escolar é um complemento imprescindível para um ambiente escolar de qualidade. Recomenda-se a continuidade de pesquisas nesse âmbito, de modo que essas possam contribuir para a tomada de medidas necessárias ao efetivo desenvolvimento educacional.

Referências bibliográficas

Andaló, C. S. D. A. (1984). O papel do psicólogo escolar. Brasília, v. 4, n. 1.

Andrada, E. G. C. D. (2005ª). Focos de intervenção em Psicologia escolar. Campinas, v. 9, n. 1. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-85572005000100019 #1a. Acesso em: 15 set. 2016.

Andrada, E. G. C. D. (2005b). Novos Paradigmas na prática do psicólogo escolar. Psicologia Reflexão e Crítica. Santa Catarina, v. 18, n. 2.

Barbosa, R. M; Marinho-Araujo, C. M. (2010). Psicologia escolar no Brasil: Considerações e reflexões históricas. Estudos de Psicologia, Campinas, v.27, n 3, p. 393-402, jul./set.

CBO MTE. (2016). Classificação Brasileira de Ocupações. Disponível em: http://www.ocupacoes .com.br/. Acesso em: 7 ago. 2016.

Conselho Nacional De Educação. Câmara de Educação Básica. Resolução CNE/CEB 2/2001. Diário Oficial da União, Brasília, 14 de setembro de 2001. Seção 1E, p. 39-40. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/CEB0201.pdf. Acesso em: 30 out. 2016.

Dessen, M. A; Junior, A. L. C. (2005). A ciência do desenvolvimento humano: tendências atuais e perspectivas futuras. Porto Alegre: Editora Artmed, p. 190-210.

Guimarães. PL 1270/2011. (2011). Disponível em: http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb /fichadetramitacao?idProposicao=501052. Acesso em: 30 out. 2016.

Oliveira, C. B.; Marinho-Araújo, C. M. (2009). Psicologia escolar: Cenários atuais. Estudos e Pesquisas em Psicologia. v. 9, n. 3, p. 648-663.

Patias, D. N.; Abaid, J. L. W. (2014). O que pode fazer um estagiário de Psicologia na escola? Problematizando prática e formação profissional. Santa Maria, v.39, n 1, p. 188.

Rossi, T. M. F; Paixão, D. L. L. (2006). Significações sobre a atuação do psicólogo escolar. In S. F. C. Almeida (Org.), Psicologia escolar: ética e competências na formação e atuação do profissional; Campinas: Alínea, p.147-166.

Santos, E. D.; Bezerra, M. D. S. P. D. S.; Tadeucci, M. D. S. R. (2010). Educação: A importância do Psicólogo no Contexto Escolar. XIV Encontro Latino Americano de Iniciação Científica e X Encontro Latino Americano de Pós-Graduação. Universidade do vale do Paraíba.

Santos, M. S.; Xavier, A. S.; Nunes, A.I.B.L. (2009). Psicologia do Desenvolvimento: teorias e temas contemporâneos; Brasília: Liber Livro, p. 15.

SINE (Site Nacional de Empregos). (2016). Currículos cadastrados no Banco Nacional de Empregos e contribuições salariais do Salário BR nos últimos doze meses. Disponível em: http://www.sine.com.br/media-salarial. Acesso em: 27 ago. 2016.

Tada, I. N.; Sápia, I. P.; Lima, V. A. (2010).  Psicologia Escolar em Rondônia: formação e práti­cas. Revista Semestral da Associação Brasileira de Psicologia escolar e educacional, v. 14, n. 2, pp. 333-340.

UNESCO. Declaração de Salamanca e Enquadramento da ação nas áreas das necessidades educativas especiais. In: Conferência Mundial sobre necessidades educativas especiais: acesso e qualidade. Salamanca, Espanha, 7‐10 de Jun.1994

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Back To Top